O Génesis de Miss Skills

Miss Skills é o nome artístico de Naira Cristina Jordão do Sacramento Dória. Filha de são-tomenses, nasceu no primeiro dia de Fevereiro de 1988, em Luanda – Angola. Formou-se e trabalha em Engenharia Química, mas a sua grande paixão é a música. Lançou este ano o seu primeiro álbum Génesis, que descreve como o seu bebé, um primeiro passo, uma primeira demonstração do seu “mundo”. Disponibilizou uma versão gratuita na internet [Link para download] porque faz parte da sua filosofia e quer que as pessoas tenham acesso as suas músicas e vai editar uma Deluxe Edition para venda. O STP Digital esteve à conversa com esta artista angolana de raízes sãotomenses.

STP DIGITAL: Para si, o que significa ser rapper? Porquê?

Ser rapper é ser transmissora de conhecimentos e é sobretudo uma questão de cidadania. Porque o rap é uma manifestação, é uma expressão da realidade, ele dá-te voz e permite-te esmiuçar a tua realidade e forma de ver o mundo.

STP DIGITAL: Como é que se envolveu com o Rap? Quando e como é que passou de amadora a profissional?

O meu envolvimento com o rap deu-se de uma forma muito natural. Costumo dizer que eu não o escolhi mas sim o contrário. Desde pequena que sempre gostei de escrever poesia, quando descobri que podia dar ritmo ao que escrevia, juntei o ritmo à poesia. Em 2009, comecei a trabalhar em estúdios profissionais.

STP DIGITAL: Sobre o seu nome artístico, porquê Miss Skills?

Foi um nome que me foi atribuído por uma amiga, inicialmente eu era M.A.M.Y. e quando ela descobriu a minha polivalência, cantar, escrever, produzir, ela passou a chamar-me de Miss Skills, “senhorita cheia de talentos” e assim ficou.

STP DIGITAL: Como avalia o rap lusófono e expressão do Rap por Mc’s do sexo feminino?

Em termos de lusofonia temos rappers de peso, grandes compositoras com letras muito fortes. Falta divulgação por parte de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Macau e Timor.

STP DIGITAL: Quando foi a última vez que veio a STP? Visita com frequência?

Já não vou à São Tomé, acredito que a cerca de 3 anos. Costumo tentar ir anualmente, mas entretanto surgiram outras prioridades que me impediram.

STP DIGITAL: Qual é a sua relação com São Tomé e Príncipe?

Os meus pais são sãotomenses.

STP DIGITAL: Em relação às composições, quais as temáticas abordadas e o que a motiva no momento de criação dos sons e letras? E quais são as suas principais influências?

O instrumental em geral fala comigo e diz o que quer que eu cante, pode parecer maluquice mas cada artista tem a sua pancada. Tudo que está ao meu redor me influencia, eu posso olhar para uma parede branca e um comboio de ideias surgir de repente.

STP DIGITAL: Qual é a maior dificuldade que enfrenta na sua carreira? Como tem superado?

Falta de patrocínios e marketing eficaz. Quanto ao patrocínio eu acabo por custear os meus trabalhos e quanto ao marketing começo agora a apostar mais nele de forma a divulgar melhor o meu trabalho como artista.

STP DIGITAL: Em 2015 participou no festival de Rap da Língua Portuguesa – Terra do Rap. Que balanço faz?

Foi uma experiência incrível. A melhor que já tive até ao momento na minha carreira. O Festival foi no Rio de Janeiro e foi a minha primeira internacionalização. Fui muito bem recebida e acarinhada pelo público brasileiro, que vibrou com as minhas músicas.

STP DIGITAL: Brisa de Mudança e Ilha de Esperança são 2 das canções do álbum, que já têm vídeo clip. Fale-nos sobre a produção destes.

O Ilha de Esperança, que foi o primeiro single do álbum, é baseado numa história verídica. Quando ouvi o instrumental soube que precisava de contar uma história e escolhi essa por ser um tema recorrente na nossa sociedade. Quando ouvi o instrumental do Brisa de Mudança senti necessidade de escrever mensagens positivas e inspiradores. Depois de ter a ideia, é pegar a caneta e o papel e sair por aí a sonhar.

STP DIGITAL: Foi mãe pela primeira vez recentemente. Como está a ser esta experiência?

Está a ser uma óptima experiência, sempre quis ter uma filha e cuidar dela tem sido uma gratificação. Ela inspira-me a querer mais pois quero que quando cresça se orgulhe de mim.

STP DIGITAL: Como é um típico dia na sua vida?

Actualmente a minha rotina mudou pois estou de licença e cuido da Melody, minha filha, mas quando ela adormece vou para o meu home studio e começo a arquitectar ideias, trabalhar em projectos tanto musicais como de fotografia, vídeo e outros da minha iniciativa.

STP DIGITAL: Qual é o seu maior sonho?

Olha nesta altura tenho tantos sonhos, sou uma sonhadora nata. Mas os maiores são: ter um carreira musical de sucesso e uma editora renomada.

STP DIGITAL: Se pudesse ter um super poder, qual seria? Porquê?

Eu já considero que tenho um super poder e se não tivesse seria o que escolheria. O poder de tocar as pessoas com a minha arte, mudar mentes e corações e fazê-las querer ser mais e melhor.

STP DIGITAL: Sobre novos trabalhos musicais em Angola e no mundo, o que tem escutado atualmente? Algum cantor ou produtor sãotomense com que gostaria de trabalhar?

Oiço um pouco de tudo, gosto de quase todos estilos musicais. Ênfase ao Rap, R&B/Soul, Jazz e Rock. Infelizmente, a música sãotomense não chega aqui e nas vezes que visitei o país, nas discotecas e afins ouvi apenas música estrangeira. Mas oiço e gostaria de trabalhar com Os Calema. Têm uma musicalidade forte e uma sonoridade fresca e alegre.

Escrito por
Katya Aragão
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