Turismo e ambiente duas faces da mesma moeda

A nível mundial, o turismo tem vindo a ganhar uma importância crescente. É vulgar considerá-lo como um sector dinâmico porque, além da inevitável circulação de pessoas, mobiliza um conjunto de recursos e evidencia alargada capacidade de multiplicação de efeitos.

É habitual considerar-se três áreas interdependentes na análise do turismo: económica, sociocultural e ambiental. A conjugação destas três dimensões remete para o conceito de sustentabilidade, já que, idealmente, está assegurado quando todos os níveis são perspectivados no longo prazo e de forma articulada.

A literatura de referência e a análise de experiências em curso permitem considerar que, a um nível económico, o sector é um pólo de atracção de desenvolvimento permitindo gerar receitas, multiplicá-las e reinvesti-las. Quando planeado, contribui para estimular outros sectores de actividade como o agro-pecuário, as pescas, a indústria, o comércio e os serviços, o artesanato e a animação sociocultural, através de efeitos de difusão. E pode ainda considerar-se que potencia a modernização de infra-estruturas internas, tanto de acolhimento como de ligação, favorecendo a qualificação profissional e a diversificação das fontes de rendimento na expectativa de contribuir para a melhoria das condições de vida e de bem-estar das populações locais.

A um nível sociocultural, o sector do turismo e das viagens é concebido como um veículo de valorização interpessoal, facilitador da divulgação de traços específicos que conferem identidade aos povos, dando a conhecer práticas ancestrais, modos de fazer tradicionais, contos e histórias, entre outros factores. Mas também é um sector que promove o intercâmbio cultural através do contacto directo entre pessoas de origens diversas e cujos comportamentos, e formas de ser e estar, se orientam e regulam por regras e valores próprios. A viagem é hoje concebida como um meio de aproximação de culturas, muitas vezes, definida como promotora de Paz, por facilitar e promover o respeito pelas diferenças e o (re)conhecimento da singularidade de cada povo.

A nível ambiental, a promoção do turismo implica a existência de acções tendentes à manutenção dos espaços e à conservação das espécies, em particular das que têm estatuto de ameaçadas ou em risco. Independentemente do segmento turístico, as actividades desenvolvidas no contexto da viagem são enquadradas por espaços dotados de elementos paisagísticos únicos e diferentes dos que se encontram nos locais de origem dos viajantes. Sempre que a viagem tem lugar em espaços marcados por variedade de ecossistemas e riqueza em diversidade de vida biológica, nomeadamente com endemismo, aumenta a urgência em manter os elementos paisagísticos preservados. Estes são considerados locais de excelência para a prática de actividades ambientalmente enquadradas, proporcionando a observação in loco, e estimulando a adopção de comportamentos adequados à continuidade da conservação. Afirmar que o ambiente contextualiza o turismo, definindo as formas e as práticas predominantes, é uma verdade.

A relação entre o turismo e o ambiente é muito mais próxima do que se poderia pensar inicialmente, visto que o primeiro não subsiste sem o segundo. Esta afirmação, podendo parecer óbvia e de senso comum, requer uma leitura de proximidade centrada nas actividades que se procuram promover e nas motivações que levam os turistas a escolher um local entre muitos outros possíveis como destino. As férias são, por característica, momentos de paragem na vida quotidiana, propiciando uma mudança de actividades, de locais e de comportamentos. São períodos de descontinuidade, de libertação, de prazer, de aprendizagem pelo contacto directo e de valorização pessoal. A opção por um destino para férias é fortemente condicionada pelas características locais e pelo que o destino pode oferecer, tendo em conta o que se procura: descanso; sol e praia; conhecimento de culturas locais exóticas; contacto com natureza; contemplação paisagística; observação de espécies. Todas estas motivações estão centradas no ambiente, nos recursos naturais, vivos e inertes, no conhecimento e no contacto directo. De forma associada, as actividades que podem ser desenvolvidas neste contexto enquadram-se no trekking, climbing, watching, snorkeling, diving – expressões anglófonas que traduzem uma ideia de continuidade e de acção, estando todas enquadradas por espaços naturais.

O arquipélago de São Tomé e Príncipe, considerando as duas ilhas principais e os ilhéus, reúne um conjunto alargado de potencialidades turísticas e que vão ao encontro das ideias apresentadas. A diversidade de ecossistemas – costeiro e marinho, fluvial, florestal – representa um dos principais factores de atracção turística que, a nível mundial, tem vindo a ser mais valorizado. Os segmentos mais adequados, tendo em conta as potencialidades, estão enquadrados pelo Ambiente: ecoturismo; turismo de natureza; turismo de observação; turismo científico. A nível mundial, têm sido alvo de valorização com aumentos na procura, resultando também numa porta aberta para a sensibilização das populações locais em relação a problemas ambientais emergentes, no que respeita às formas de utilização de recursos naturais. O problema da esgotabilidade, ou carência, de alguns recursos não renováveis, ou que têm vindo a sofrer os efeitos da pressão humana, é uma realidade e, em São Tomé e Príncipe, são vários os exemplos: extracção de areia e outros inertes para construção civil; captura de tartaruga marinha e ovos para consumo directo, comercialização da carne, ovos e transformação da carapaça; abate indiscriminado de árvores; captura de papagaio e outras aves para tráfico internacional, entre outros. Pois estes recursos têm um valor turístico incalculável, o que faz pensar que o turismo e o ambiente não deixam de ser duas faces da mesma moeda.

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