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Interesse Britânico por São Tomé e Príncipe está a crescer

Em breve passagem por São Tomé, a propósito da cerimónia de investidura do novo Presidente da República, o Embaixador britânico para Angola e São Tomé e Príncipe, John Dennis, concedeu uma entrevista exclusiva ao STP Digital, na qual falou sobre a cooperação entre as ilhas maravilhosas e o Reino Unido. No cargo atual desde 2014, esta é a terceira visita do embaixador ao país.

STP Digital – Como caracteriza as relações entre Reino Unido e São Tomé e Príncipe?

John Dennis – As relações são boas e estão a crescer. Na área económica, historicamente, as nossas relações são relativamente poucas. Mas esta situação está a mudar porque a República Democrática de São Tomé e Príncipe está a desenvolver-se mais. Por exemplo, a sua infra-estrutura (não só a física como também financeira) e o Reino Unido tem várias habilidades que são relevantes aos requisitos da economia são-tomense para o seu futuro desenvolvimento. Londres foi palco de um evento muito importante, o STP In London 2015. O governo britânico ajudou o governo são-tomense neste evento como facilitador. Estou muito grato ao governo por ter seleccionado Londres para acolher este evento, porque, como já disse, as nossas habilidades são muito relevantes.

STP Digital – Depois do STP In London 2015, a embaixada foi contactada por empresários britânicos interessados em investir em São Tomé e Príncipe?

John Dennis – Sim. Muitas vezes, recebemos contactos com esse tipo de interesse e estamos a levar a cabo ações para aumentar o número de empresas britânicas que têm planos para visitar o país. As oportunidades são muito especiais, mas muito expressivas. A última vez que visitei as Ilhas, no mês de Janeiro deste ano, tive encontros com muitas pessoas, incluindo o senhor Primeiro Ministro, para encontrar maneiras de aumentar estas ligações.

STP Digital – E quais têm sido as principais questões dos investidores britânicos?

John Dennis – Qual é a natureza específica e atual das oportunidades porque os seus conhecimentos sobre as ilhas não são profundos. Portanto, a nossa embaixada em Luanda tem um papel importante para esclarecer a situação e o facto de que por exemplo na área do turismo, desenvolvimento infra-estrutural, agricultura, não só existem oportunidades em geral, também existem oportunidades específicas. Por exemplo, no contexto do novo Porto, que o governo está a desenvolver, que faz parte da agenda de transformação do governo.

STP Digital – Acabou de testemunhar um momento muito importante para a nossa jovem nação. O que acha da democracia são-tomense?

John Dennis – É evidente que a vida democrática do país é ativa. Estou honrado por ter tido a oportunidade de assistir a cerimónia de hoje, para celebrar a chegada do novo Presidente da República, que tive a honra de encontrar hoje de manhã. Foi muito interessante. Foi muito encorajante.

STP Digital – Que consequência poderá ter o Brexit nas relações com países como São Tomé e Príncipe? Abrir-se-á uma janela para reforçar a cooperação entre os países?

John Dennis – Provavelmente, na minha opinião. Ainda há pormenores sobre o Brexit que não são claros, mas algo é muito claro: o facto de que o Reino Unido tem de elevar o seu perfil noutras partes do mundo como país europeu (ainda somos um país europeu, apesar do Brexit). Mas também como país que tem vantagens particulares nas várias áreas da economia e vamos dedicar novos recursos aos esforços para, como já disse, elevar o nosso perfil fora da Europa, inclusive em África, inclusive na República Democrática de São Tomé e Príncipe.

STP Digital – Há um ano o governo britânico estendeu o seu programa de Bolsas Chevening para São Tomé e Príncipe. Apesar de ser uma oportunidade que tem despertado o interesse de muitos são-tomenses, ainda existem alguns obstáculos, sendo um deles o teste de IELTS que tem que ser feito em Luanda. Têm em vista a criação de condições para que o teste possa ser realizado em São Tomé?

John Dennis – Sim, é verdade. O processo para obter uma bolsa Chevening é muito competitivo. Espero que no futuro seja possível aumentar o número de bolsas. A qualidade dos candidatos são-tomenses é muito alta e este fator vai ajudar no processo de aumentar o número de bolsas. Os nossos processos são complicados em várias vertentes e estamos conscientes que temos de melhorar. Neste momento, estamos a pesquisar a possibilidade de melhorar os processos. Mas os elementos básicos não vão mudar. É evidente que o nível certo de habilitações em inglês é absolutamente necessário para começar a estudar a alto nível em Inglaterra.

Neste momento, não existem planos concretos para que os candidatos são-tomenses façam o IELTS cá. Mas é uma possibilidade caso o número de bolsas aumente no futuro. Atualmente, concedemos duas bolsas por ano, mas vai crescer muito por causa da qualidade dos estudantes são-tomenses.

STP Digital – Atualmente existe um Cônsul Honorário em São Tomé. A Embaixada tem planos de dinamizar o Consulado?

John Dennis – Estamos a dinamizar o Consulado desde o início deste ano. Formalmente, não existe nenhum Consulado britânico aqui. Temos sim o cônsul honorário, que é muito ativo. A medida que as relações dos nossos países forem crescendo, vamos ter a possibilidade de aumentar os nossos recursos aqui nas ilhas. No futuro, paulatinamente, inclusive os serviços consulares.

Bolsas Chevening

As bolsas Chevening é o programa de bolsas do governo britânico, disponível em mais de 160 países e territórios, as bolsas são oferecidas a excepcionais líderes emergentes para programas de pós-graduação de um ano (mestrado ou MBA) numa universidade do Reino Unido. Mais informações em www.chevening.org

Sobre o IELTS: O sistema internacional de testes da língua inglesa (IELTS em inglês) é o teste de proficiência em inglês mais popular do mundo para ensino superior e migração global.

Entrevistado por
Katya Aragão

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