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Entrevista: Pelas rimas de Killa-Z

O músico sãotomense, Zlarid Almeida (31 anos), mais conhecido por Killa-Z, completou este ano 18 anos de carreira. Fundador do famoso grupo “Os Vibrados”, que revolucionou a música nacional com a criação de um estilo muito próprio, resultado da fusão do rap de intervenção social com ritmos tradicionais. Para além da sua grande paixão pela música, o artista é também técnico em Gestão de Empresas e concluiu este ano o curso de Relações Públicas na Universidade de São Tomé e Príncipe. Nas suas rimas cantadas em forro, o cantor convida-nos a reflectir sobre situações diárias patentes na realidade do nosso país. Killa-Z conversou com o STPDigital sobre música, partilhou um pouco da sua experiência e muito mais. Confira.

STPDigital – O que é para si a música?

Killa-Z: Para mim, a música é o veículo de transmissão de mensagens e ritmos que alimentam o espírito e, de vez em quando, é utilizada também para educar e alertar as massas.

STPDigital – Como entende o processo de criação artística?

Killa-Z: A criação provém de inspirações resultantes de reflexões individuais sobre diversas coisas, muitas delas não me cabe a intervenção, porém acabam por dar sempre em letras musicais.

STPDigital – Como classifica o seu estilo musical?

Killa-Z: Por ser um amante das coisas da cultura e ao mesmo tempo possuidor dos verdadeiros ensinamentos do Hip Hop, juntei as duas coisas e vou-me afirmando como artista da cultura contemporânea.

STPDigital – Toca algum instrumento?

Killa-Z: Percussão tradicional, jambé e de momento aprendendo a manejar instrumentos de cordas e teclas. Desde pequeno, que fui brincando com instrumentos de percussão tradicional.Percussão tradicional, jambé e de momento aprendendo a manejar instrumentos de cordas e teclas. Desde pequeno, que fui brincando com instrumentos de percussão tradicional.

STPDigital – O que falta no panorama musical sãotomense?

Killa-Z: Falta uma indústria musical e investidores com visão suficiente para perceber que esta é uma área de retorno multimilionário.

STPDigital – Que músicas/músicos – ou criadores e grupos, ou estilos e formas musicais – reivindicaria por não serem suficientemente (re) conhecidos (ainda)?

Killa-Z: Reivindicaria os nossos estilos tradicionais, por serem peculiares cheios de coisas surpreendentes que cativam o mundo. Foi a grande razão que fez com que a editora europeia Klasszik se apaixonasse pelas criações angolares dos Calema. “Visão”.

STPDigital – Com que tipo de dificuldades é que se deparou a fazer a música de que gosta?

Killa-Z: O facto de habitar numa ilha onde não há expansão profissional e indústria sobre aquilo que cá se faz. É como se o país tivesse diamantes, mas não soubéssemos o seu valor nem a sua utilidade.

STPDigital – Um momento inesquecível na sua carreira?

Killa-Z: Fazer música sem condições próprias e em lugares inóspitos, mas mesmo assim receber felicitações vindo de quase todos os continentes após a mesma cair na internet.

STPDigital – “Se não é nigeriano, é libanês”, essa expressão sua vai muito além do que parece. Qual é o real significado?

Killa-Z: Entra numa loja e tenta procurar um produto que foi importado por um empresário santomense. O nosso dinheiro tem ido parar a bancos estrangeiros e enriquecendo os homens de negócios. Única coisa que fica por cá são as meninas grávidas desses mesmos empresários. O significado disto é muito amplo, mas fiquem com esse cheirinho para reflexão.

STPDigital – Que projectos tem e quais gostaria de desenvolver?

Killa-Z: Criar uma editora em São Tomé, o que me custaria por volta de 100 mil euros, e uma empresa de revolução publicitária de diversos ramos na europa que custaria por volta do mesmo valor.

STPDigital – Qual é o seu top 3 das suas músicas?

Killa-Z: É difícil escolher os melhores filhos, mas os que mais se destacaram foram, “Óh cacaô non molê”, “Eu estou na via” e “Vive a vida e guarda segredo”, entre outras.

STPDigital – Que radiografia faz da cultura sãotomense?

Killa-Z: Rica e cheia de novidades e valores, contudo os sãotomenses não lhe dão atenção. Nota-se alguma preocupação de pessoas estrangeiras que visitam o nosso país, no que toca a sua preservação e divulgação da cultura sãotomense.

STPDigital – Que medidas acha que deveriam ser implementadas para reverter o cenário actual?

Killa-Z: Criar um ministério que se encarregue somente pela cultura, com pessoas formadas na área e com muita vontade de trabalhar. Actualmente, a cultura esta vinculada ao Ministério da Educação, Cultura, Ciências e Comunicação. Parece ser uma óptima ideia mas em São Tomé e Príncipe não funciona e nunca irá funcionar. É um país em que tudo é prioritário e umas coisas terão que ficar para trás, nesse caso, tem sido a cultura.

STPDigital – Que leitura faz da classe política de São Tomé e Príncipe?

Killa-Z: Sem excepção, ainda vivem com o estigma de um povo escravizado que luta para ser como o antigo patrão, tentando ser pseudo colonizadores, que apenas levam benefícios para as suas famílias e pequenos grupos que os apoiam. As fortunas que cá arrecadam, investem e guardam no mercado internacional. A nova geração também segue inocentemente este paradigma.

STPDigital – Tem aspirações políticas?

Killa-Z: Por enquanto não, mas gostaria de ter poder e dinheiro suficiente para investir onde o estado falha.

STPDigital – Já foi orador no TEDxSãoTomé. Qual foi a sensação? O que o levou a aceitar o desafio?

Killa-Z: Sempre gostei de desafios e participar no TEDxSãoTomé foi para mim um desafio e ao mesmo tempo uma experiência enriquecedora.

STPDigital – Para si Deus é?

Killa-Z: Alguém de quem somos todos imagem, ou seja, muita das coisas que deixamos nas mãos de Deus, temos a capacidade e a fórmula de resolução pela mesma via que ele.

Entrevistado por
Katya Aragão

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