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ENTREVISTA: O Entertainer: Enerlid Franca e Lagos

O STP Digital tomou um café com o Diretor Geral da On TIME Entertainment, Enerlid Franca e Lagos (32 anos), que vai produzir um concerto inédito, de uma artista inglesa que está em tournée mundial cujo nome o produtor ainda prefere manter em segredo. Franca e Lagos nasceu em Monta Legre, no distrito de Mé-Zóchi e é conhecido pelo seu espírito de equipa e grande capacidade de liderança. Nesta conversa o produtor de eventos falou sobre o seu percurso profissional e sobre a área em que trabalha em São Tomé e Príncipe. Confira.

STP Digital – Como e quando começou a trabalhar na área de produção de eventos?

Enerlid Franca e Lagos: Na brincadeira, comecei desde miúdo a trabalhar na área de produção. Lembro-me que quando vivia no Prédio do Banco e produzíamos os eventos de final do ano, eu e os meus irmãos estávamos sempre envolvidos, embora naquela altura fosse apenas um peão. Depois veio a faculdade, onde estive envolvido em várias organizações estudantis de promoção dos ideais africanos, também ali produzíamos alguns eventos culturais coisas de pequena dimensão e sempre bem organizadas.

Todavia, foi em São Tomé, há cerca de 4 anos que me apercebi que podia fazer a diferença, contribuindo positivamente para esta sociedade na área de produção de entretenimento. Inicialmente com a ONG Galo Cantá, responsável pela produção do TEDxSãoTomé e há quase 2 anos com a minha produtora – On TIME Entertainment.

STP Digital – É um dos organizadores do TEDxSãoTomé, evento que tem crescido de ano para ano. Com toda a experiência que vem acumulando ao longo deste anos na organização destes e outros eventos, quais são, na sua opinião, as principais dificuldades que se enfrenta na organização de um evento?

Enerlid Franca e Lagos: Levar um produto ao consumidor final exige uma dinâmica muito grande e quem compra o produto não está interessado em conhecer as etapas todas. O mesmo se passa com a produção e organização de eventos em qualquer parte do mundo, mas São Tomé e Príncipe tem a sua especificidade. Julgo que a principal dificuldade tem a ver com a falta de materiais ou equipamentos em diversas áreas de produção. Houve uma oportunidade de termos a “Diva dos pés descalços” – Cesária Évora num espetáculo ao vivo em São Tomé e só não foi possível porque do rider técnico enviado, não havia no país alguns equipamentos entre eles um piano. Hoje, felizmente, já temos um “Boston”, no Pestana São Tomé!

Mas as dificuldades não param por aí. Às vezes temos necessidade de colocar um parceiro no nosso evento, apenas para este garantir que não falhe a energia elétrica. Quando falamos de eventos como o TEDxSãoTomé que recebemos participantes vindos de fora (oradores e participantes), temos o problema das ligações aéreas. Hoje já podemos escolher quando ir para a Europa “que todos conhecem” (Portugal), mas para irmos para muitos países africanos ainda precisamos fazer até quatro 4 voos e muitas vezes temos que ir a Portugal e depois voltar ao continente africano.

STP Digital – Quão importantes são as cotas de patrocínio para a saúde financeira de um evento?

Enerlid Franca e Lagos: Tudo depende da finalidade do evento (comercial ou social/caridade) e do seu tamanho. Contudo qualquer produção por menor que seja, tem o seu custo e é importantíssimo sabermos como atrair alguns parceiros e patrocinadores. Pois eles fazem toda diferença na forma como gerimos a produção e a organização do nosso evento.

Olha vejamos o caso do “Black Friday com a Miss Skills”, o nosso próximo evento para o dia 23 de Dezembro. Sem a parceria com o Grupo Pestana até poderíamos realizar o evento no Fortim São Jerónimo, mas seria com outras condições e os riscos seriam maiores. Portanto, devemos reconhecer que as parcerias e os patrocínios dão-nos maior equilíbrio e maiores margens de manobra para garantir a qualidade do produto final que é apresentado ao público.

STP Digital – O que se pode esperar do espectáculo da Miss Skills?

Enerlid Franca e Lagos: Espera-se muita energia, muita entrega e dinamismo dos músicos em palco, boa música e muita dança, entretanto espera-se sobretudo muita vibração do nosso público maravilhoso. Porque esta festa da música é o caminho para fecharmos este ano de 2016 em chamas e cheio de disposição para 2017.

STP Digital – Tem mais projetos em carteira?

Enerlid Franca e Lagos: Fechamos o ano 2015 juntando no mesmo palco os gigantes da música santomense, tal como Guilherme Carvalho e Filipe Santo. Este ano tivemos a oportunidade de coproduzir um concerto com Dino D´Santiago e reservamos muitas surpresas para 2017.

Neste momento, posso anunciar o projeto ambicioso que temos em desenvolvimento com o Grupo Pestana, que envolve música, dança, teatro, DJ´s e produtores, o que já nos coloca como maiores promotores culturais a nível nacional.

Não ficaremos por aí, pois em Janeiro de 2017 produziremos um concerto inédito, de uma artista inglesa que está em tournée mundial e vamos colocar São Tomé e Príncipe no horizonte internacional do Jazz e Soul. Neste evento vamos convidar um músico nacional com banda para participar e representar o nosso país no espetáculo e mostrar a qualidade do que se faz cá, criando assim a interação entre vários estilos e diferentes artistas.

STP Digital – Que mensagem deixaria aos jovens leitores que também desejam enveredar pelo mesmo caminho que o seu?

Enerlid Franca e Lagos: Quero alertar os jovens a serem ambiciosos, para abrirem os seus horizontes e absorverem tudo o que existe de melhor lá fora. Que usem e abusem das novas tecnologias para se formarem e se informarem melhor. Exorto ainda os jovens cantores a investirem no seu trabalho, especificamente, que aprendam a tocar instrumentos. Os atores culturais, devem ficar atentos porque os melhores serão chamados para colaborarem connosco nas nossas produções em 2017.

A On Time Entertainment quando foi criada, o seu grande propósito era revolucionar a área de espetáculo musical em São Tomé, num conceito que se assemelha ao Boom Festival, Universo Paralelo ou Ozora Festival, numa versão eco e “mini”. Hoje não nos perdemos desse objetivo, mas estamos a experienciar outras áreas de festivais e de espetáculos para compreendermos sobretudo a logística e a estrutura deste mercado a nível do continente.

Entrevistado por
Katya Aragão

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