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Nuno Prazeres apresenta “Interculturalidade Contemporânea”

“Interculturalidade Contemporânea” – está em exposição no Palácio da Cultura Ildo Lobo, na cidade da Praia (Cabo Verde), apresenta a técnica do artista plástico sãotomense Nuno dos Prazeres.

Na tela cores fortes e figuras que tentam dar movimento aos olhos, os quadros parecem ter vida própria. Nuno dos Prazeres, sãotomense radicado em Cabo Verde expõe uma preocupação plástica que transpõe as suas telas: a interculturalidade.

“Interculturalidade Contemporânea tem a ver com os intercâmbios culturais entre sociedades devido aos ciclos migratórios que recebemos e ainda recebemos. É falar de processos que deveríamos seguir, mas não seguimos. Por exemplo, sou de São Tomé e Príncipe, vim para Cabo Verde, tenho a minha forma de ser, de estar, de pensar, as minhas manias os meus medos e quando cheguei deparei-me com uma série de problemas no que diz respeito a aceitação. Às vezes o meu irmão cabo-verdiano não aceita a minha forma de ser enquanto sãotomense e vice-versa, forçando muitas vezes a convivência com o outro e isso precisa ser quebrado, porque somos todos cidadãos do mundo, podemos estar em qualquer parte do mundo a qualquer altura”, afirmou o artista.

É neste contexto que Prazeres trabalha o conceito de interculturalidade, usando para indicar um conjunto de propostas de convivência espontânea e democrática entre diferentes culturas.

O artista plástico também tenciona exaltar o pró-negro uma perspectiva também ela contemporânea, utilizando muito em suas obras a cor preta. “Nós temos a mania de pegar o preto e associar a tudo que é mau. Então, para mim que gosto particularmente da cor preta, decidi mostrar a sua beleza e utilizar para definir os meus quadros”.

Prazeres, que diz ser mente aberta e sempre estar conectado ao mundo, explica que a sua inspiração vem de pessoas que observa à sua volta, nas políticas mundiais, em tudo que é contemporâneo e sobretudo se inspira no seu país de origem, São Tomé e Príncipe. Quase que de uma meditação, como refere a sua inspiração, Prazeres diz questionar o mundo actual, tudo que está à sua volta surgindo assim a ideia da interculturalidade contemporânea.

A paixão pela arte surgiu há mais de 20 anos com a segunda Bienal de Arte e Cultura realizada em São Tomé e Príncipe. “A arte contemporânea é livre. Não está atrelada a nenhuma instituição, é ela a instituição, é a mais avançada forma de fazer a arte, sem tabu e “mimimis” sem ter que pegar em algo de concreto, dando liberdade tanto de quem a produz como para quem as aprecia” enfatizou.

Prazeres que se dedica as suas obras à 100 por cento espera estar na lista dos grandes artistas plásticos, dar o seu contributo para a humanidade, principalmente São Tomé e Príncipe “por ser meu berço” e Cabo Verde “por ser o país da minha formação enquanto homem da interculturalidade”.

Incontestável, Nuno Prazeres chamou a atenção dos cabo verdianos e de vários turistas com as suas obras que vão estar expostas até o final do mês corrente.

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