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Capítulo II: O Antropónimo de São Tomé e Príncipe

No dia 21 de maio publicamos o primeiro capítulo de uma série de cinco capítulos do artigo de opinião do engenheiro Luís Paquete d’Alva Teixeira, sobre o processo de povoamento das ilhas de São Tomé e Príncipe. Neste segundo capítulo, descubra as origens dos nossos nomes. Com “O Povoamento Nostálgico-Traumático das Ilhas de São Tomé e Príncipe e o seu antropónimo“, todas as segundas, os leitores do STP Digital poderão ler um capítulo novo e aprender mais sobre a história do nosso país.

 

Renascemos de crianças Judias nostálgico traumatizadas, Escravos revoltosos, Europeus criminosos deportados, Angolares fugitivos das sanzalas e pessoas contratadas a curto prazo e outras também resgatadas.

De acordo com dados das instituições sanitárias de São Tomé e Príncipe actualmente grande parte da nossa população é hipertensa, independentemente do nosso modo de vida e costumes, também herdamos genes num passado recente de pessoas nostálgicotraumatizadas, revoltadas, criminosas deportadas, fugitivas, contratadas e resgatadas, pois esta é uma das causas que não devemos ignorar.

Outra doença característica entre nós é a célula falciforme que é uma doença hereditária desde a antiguidade pelos judeus nos relacionamentos conjugais entre os parentes mais próximos. Não é de se estranhar essa herança, visto que novos estudos científicos da medicina, comprovaram recentemente que o Homo sapiens herdou genes do Homem de Neandertal.

Outro aspecto peculiar, da vida estressante dos Sãotomenses naqueles tempos que não deve ser oculto era o pagamento do ”imposto sobre a cabeça”, ou imposto pela sua existência obrigatoriamente e anualmente. A maioria da população nativa, vivia das culturas de suas glebas na base da agricultura de subsistência cujos rendimentos eram ínfimos ou exíguos. Pois não possuíam meios económicos financeiros para satisfazerem tais despesas. Como forma de resolver estas normas a administração colonial recorria as rusgas e quem não cumprisse tais requisitos era preso e mandado para trabalhos forçosos das roças ou dos serviços sociais. Naquela altura, existiam os guardas da realeza, dos municípios, Freguesias e Aldeias, denominados de “Sódê Matú” que controlavam as actividades sociais, económicas e financeiras nas suburbanas e rurais. Estes utilizavam armas rudimentares como tais cacetes, machins e azagaias.

Para se verem livres da situação das rusgas e prisão pelo incumprimento desta norma legal, Sãotomenses do sexo masculino se viam obrigados a integrarem estes serviços e desempenhavam funções policiais tais como, Sódê Matú, Sargentú, Capiton-serra, Regedor visto que quem cumprisse estas acções estava isento de tais regras. Estas expressões são da nossa língua Santomé, e significam respectivamente: Soldado rural, Sargento, Capitão do mato e Regedor que eram hierarquias dos guardas municipais, das freguesias, vilas e aldeias.

A forma do ordenamento territorial dos Sãotomenses na altura para evitarem situações desagradáveis com a administração local, era construir suas casas não nas bermas das estradas e caminhos calcetados, mas sim no interior das suas glebas, visto que, quando acontecessem rusgas, eles refugiavam-se nas matas.

De uma forma sem paixões, isto constituía também a vida estressante dos nossos antepassados, e que não devemos nos esquecer destas aberrações sociais. Devido as revoltas e rebeliões dos escravos nos engenhos da cana-de- açúcar, durante o século XVI influenciaram consideravelmente os habitantes da Ilha, que muitos colonos brancos e os seus respectivos escravos abandonassem a Ilha de São Tomé por causa da insegurança e rumaram-se para o Brasil, aonde intensificaram a produção da cana-de- açúcar.

Nos séculos XVII e XVIII, isto é de 1641-1648, a Ilha de São Tomé encontrou-se ocupada pelos Holandeses, e em 1709-1715 pelos Franceses, miscigenando a população local. Não nos, esqueçamos de que os Holandeses invadiram as nossas Ilhas, saquearam, pilharam e incendiaram grande parte da nossa cidade de São Tomé, pois detêm compromissos históricos com a nossa civilização.

Quanto a antropónimo em São Tomé e Príncipe existem apelidos e ou sobrenomes de origens diversas. Portuguesa, Espanhola, Holandesa, Francesa, Alemã , Chinesa, Indiana e Inglesa e que irei expor principalmente a Espanhola, Holandesa, Francesa, Alemã, Inglesa, e Chinesa por serem em menores quantidades.

Espanhola e Francesa – Alamão, Bolívar, Da Silva, Sanchez, Lucas, David, Lopes, Andre, Garcia, Martin, Rodriguez, Montoia, SchmittFilinto, Vidal, Paquet, etc.;

Holandesa – Wanderley, Vangente, Van-Dúnen, etc.;

Alemã – Renner, Stockler, Stock, Kaiser, Metzer, Zink, Meyer, Smitz, Meier, Valdemar, etc.;

Germano–Polaca – Pósser;

Eslava – Venceslau;

Inglesa – Palmer, Tiny, Smith, Spencer, Will, etc.;

Chinesa – Ching – Fong, Aloy, Ten-Jua, Van-Jeng, Loy-Heng, Junchan, Choy, Xing- Choy, etc.;

Indiana: Aricate, Carneiro, Xavier Dias, etc.;

Um aspecto a salientar é como se justifica os sobrenomes de origem alemã em famílias Sãotomenses, visto que os mesmos não foram emigrantes destas Ilhas? Poderá estar associada a emigração dos Alemães ao Brasil e Portugal nos séculos XIX-XX e que posteriormente o nosso arquipélago, seja um dos seus destinos provenientes principalmente do Brasil e ou de Portugal. Nos séculos XVII e XVIII, as Ilhas de São Tomé e Príncipe, estavam à sua sorte praticamente sem o controlo da monarquia portuguesa, sendo geridas por Sãotomenses, que realizavam as suas actividades de agricultura, compra e venda dos escravos em África e por último o comércio de interposto de escravos da África para as Américas.

Por Luís Paquete d’Alva Teixeira

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