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Maria José Prazeres sobre o cancro da mama: “O importante é arregaçar as mangas e vencer” | TEDxSãoTomé

Um ano depois de ser diagnosticada com cancro da mama, a economista Maria José Martins Ferreira dos Prazeres (30 anos), está de malas feitas para voltar à ilha das princesas e dos príncipes. É professora do ensino secundário e profissional e ocupa também desde 2017 o cargo de Diretora Regional para Economia. Em 2018 foi forçada a colocar a sua vida profissional em pausa e mudar de país para tratar a doença, já que em São Tomé e Príncipe não é possível. Animada e sempre com um sorriso nos lábios, Maria José Prazeres ou Cuny (como é tratada pelos amigos), em entrevista exclusiva ao STP Digital, conta como enfrentou os momentos mais difíceis da sua vida e fala sobre a vontade de regressar a Ilha do Príncipe.

STP Digital –   O que sabia sobre o cancro da mama antes de ser diagnosticada?

Maria José Prazeres – Sabia muito pouco. Embora tivesse feito um trabalho na escola (ensino secundário) sobre o tema, o que sabia era basicamente que podia ser maligno ou não e que o tratamento era bastante agressivo, podendo a doente perder a mama.

 STP Digital – Como é que descobriu que tinha cancro?

Maria José Prazeres – Durante a amamentação do meu filho, tive um abcesso na mama direita. Por precaução, numa viagem a Portugal, pedi a minha médica que averiguasse se estava tudo bem. Foi aí que descobri que a mama direita estava “limpa” mas que a esquerda tinha um nódulo suspeito que precisava ser vigiado de 6 em 6 meses. Num desses controles apercebemo-nos que o nódulo havia crescido.

STP Digital – E depois?

Maria José Prazeres – E depois?!  Depois tive que me reorganizar. Na verdade parar a minha vida, os meus projetos… Enfim! Tive que me disponibilizar para iniciar o tratamento. O que passou a ser o meu principal foco em paralelo com o meu filho claro.

 STP Digital – O que sentiu naquele momento?

Maria José Prazeres – Até hoje não sei descrever em palavras. Mas pareceu que estava no corpo de outra pessoa, ou que era um sonho do qual a qualquer momento iria acordar. Não sei se foi o pior momento da minha vida, mas com certeza é um forte concorrente a esse lugar.

 STP Digital –  Como está a ser o tratamento?

Maria José Prazeres – A primeira parte acredito ter sido a pior, que é a da quimioterapia venal. Eu costumava dizer que é uma sensação de estar grávida a tempo inteiro. (risos)

Saber que se está com poucas defesas. Que podemos apanhar uma infeção a qualquer momento é muito complicado. O receio de chegar ao hospital e não ter os valores mínimos necessários para a sessão seguinte. A pressão do médico para não engordar. Enfim! Ganhei 15 quilos nessa fase. Mas nada é impossível.

A segunda é a cirurgia. Como diz uma amiga faria 30 cirurgias se fosse necessário. Foi muito tranquilo. Quase não tive dores a não ser a parte de colocação do arpão de localização da lesão. Também tive alguma dor no pós cirúrgico mas era por causa de líquido que se formou mas a situação foi resolvida num instante.

Depois, veio a quimioterapia em comprimido que não estava prevista e que estou fazer nesse momento. Mas são apenas uns comprimidos. O pior é ter que ficar em Portugal mais 6 meses do que previsto.

Em seguida farei a radioterapia, mas que também não me assusta porque já sei que é localizada.

STP Digital –  O que diria a alguém que está a passar pelo mesmo?

Maria José Prazeres – Que tenha fé. Isto é, confiar em Deus para os que acreditam e/ou nos médicos. Depois é se predispor a fazer os tratamentos. Sempre confiante de que vai dar tudo certo. Haverá momentos de dúvidas, de medo, mas é só confiar e ter em mente  que cada caso é um caso. Como disse um médico “não existem doenças a serem tratadas, existe aquela doença naquela pessoa”. Toda ajuda é bem-vinda, mas cabe a cada um de nós selecionar o que queremos e não queremos absorver. O importante é arregaçar as mangas e vencer!

 STP Digital –  Como se sente agora?

Maria José Prazeres – Bem! Apesar de cansada e com uns quilinhos a mais. Muito bem. Graças a Deus!

STP Digital –  Agora que o pior já passou, quais são os seus os planos?

Maria José Prazeres – (risos) Assim que terminar o tratamento e a médica autorizar, voltarei para o Príncipe e retomarei os meus projetos. Os que forem possíveis claro! Mas sobretudo voltar ao trabalho que é horrível estar a passar por isso tudo sem uma ocupação profissional. Como se diz por aí “mente vazia é oficina do diabo”! (risos)

STP Digital – Este ano será oradora no TEDxSãoTomé. Que ideia irá apresentar?

Maria José Prazeres – A ideia principal é de que o cancro, seja ele qual for não é uma sentença de morte. Mas espero também conseguir alertar um pouco as nossas mulheres, sem alarmar claro, de que é necessário estarmos atentas porque quanto mais cedo for o diagnóstico mais chance de sobrevivência temos.

 STP Digital – Se tivesse o superpoder da imortalidade, o que faria?

Maria José Prazeres – Hum… agora pegaram-me. Da imortalidade não sei, na verdade nem sei se me valia de muito ser imortal. Mas se tivesse o poder de falar com todas as pessoas que estão a passar por uma situação difícil seja na saúde ou não, seja consigo ou com seus, daria uma palavra de esperança. Um abraço verdade e pediria para não desistirem.    

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