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Entrevistas São Tomé e Príncipe

Cônsul Takano: “A área de turismo é de grande importância para São Tomé e Príncipe”

O Cônsul Honorário da República Democrática de São Tomé e Príncipe em Tóquio, Kentaro Takano, nasceu no mesmo dia em que a ilha de nome santo foi descoberta, 21 de Dezembro, do ano 1972. Takano nasceu na província de Saitama (Japão), que fica a menos de 30 minutos de comboio de Tóquio.

Takano trabalha com comércio exterior e presta consultorias neste ramo. Também trabalha com transações comerciais de minério com a Rússia e África. É representante no Japão de empresas estatais da República Democrática do Congo tais como a SCTP(Sociedade Comercial dos transportes e dos Portos), LMC (Linhas Marítimas Congolesas), etc.

 

É ainda consultor de investimento e transação comercial da Embaixada da República Democrática do Congo.

A sua primeira visita as ilhas maravilhosas aconteceu em fevereiro de 2017, que resultou em uma segunda visita em março do ano corrente. Recentemente o Consulado apostou na promoção do nosso país no Japão através de participações de competições automobilísticas, em que o carro exibia as cores da bandeira de São Tomé e Príncipe.

Segundo o Consulado, a participação em competições famosas de automobilismo no Japão, serve para divulgar São Tomé e Príncipe para futuros investimentos e apoios ao país.

Esta promoção ousada na corrida realizado no Fuji Speed Way, no início deste mês, obteve bons resultados, tendo a Team SaoTome-Principe – número 81, alcançado o terceiro lugar, não passou despercebida aos sãotomenses nas redes sociais. O STP Digital foi saber mais sobre esta representação diplomática de São Tomé e Príncipe na terra do sol nascente, onde residem apenas quatro sãotomenses até então, através desta entrevista exclusiva concedida pelo Cônsul Kentaro Takano.

STP Digital – Que ligações tem com São Tomé e Príncipe? E como surgiu a oportunidade de se tornar cônsul honorário de São Tomé e Príncipe em Tóquio?

Tive conhecimento de São Tomé e Príncipe através dos contactos de trabalho no comércio exterior. Devido a estes contactos, recomendações e pelo facto de não ter nenhuma representação  diplomática de São Tomé e Príncipe no Japão cheguei ao posto de Cônsul Honorário. Como já trabalhava com a África a proposta foi bem vinda e o facto de nunca ter visitado o país, fez aumentar positivamente o meu interesse.

A minha posse foi dentro do procedimento baseado nas leis internacionais. Foram realizados os devidos procedimentos nos Ministérios dos Negócios Estrangeiros de ambos os países e assim fui nomeado Cônsul Honorário.

STP Digital – Como está a ser o desafio e a responsabilidade deste cargo diplomático?

Até o presente momento, as relações entre São Tomé e Príncipe e o Japão não eram próximas. Isso deve se à distância geográfica, diferença de língua e cultura, dentre outros aspetos. Mas a maior causa é o facto de não ter nenhuma representação diplomática de São Tomé e Príncipe no Japão, assim como em São Tomé e Príncipe não há representação diplomática japonesa. Com a abertura oficial deste Consulado  Honorário no Japão, espero contribuir para aumentar as relações oficiais entre os dois países. Ao mesmo tempo, sinto que tenho uma grande responsabilidade em mãos.

STP Digital – Quais é a missão do consulado? Que tipo de funções desempenha o cônsul?

Eu sou japonês, então não posso ter o posto de embaixador de São Tomé e Príncipe, assim, como não posso abrir uma embaixada. Por não ter uma embaixada de São Tomé e Príncipe no Japão, este Consulado Honorário será o único representante oficial de São Tomé e Príncipe e teríamos a necessidade de exercer uma missão similar ao de uma embaixada.

O trabalho principal é a proteção dos cidadãos sãotomenses no Japão. Atualmente são poucos sãotomenses, mas com o aumento das relações entre os dois países a tendência é aumentar. Um dos nossos trabalhos é auxiliar cidadãos que estão a longo prazo (estudantes, profissionais, etc.) ou a curto prazo (turistas, viajantes a negócio) no Japão.

O Japão apoia de muitas maneiras o desenvolvimento de muitos países e também realiza investimentos. Porém, para apoiar ou investir é necessário desenvolver e aprofundar o relacionamento diplomático, pois sem conhecer o país, os cidadãos, as empresas japonesas não têm como apoiar ou investir. O meu papel seria trabalhar para tornar São Tomé e Príncipe cada vez mais conhecido no Japão.

STP Digital – O Japão apoia São Tomé e Príncipe na área da alimentação, com o seu famoso arroz, e recentemente tem concedido bolsas de estudo para estudantes sãotomenses. Há margem para que a cooperação entre as nações se estenda a outros níveis?

O Japão realiza doações de arroz todos anos a São Tomé e Príncipe. O governo vende à população este arroz a um preço justo e com o dinheiro da venda foi feita a aquisição de uma central de oxigénio medicinal para o Hospital Ayres de Menezes (hospital central). Para os estudantes há bolsas de estudos e atualmente, temos alguns bolsistas sãotomenses no Japão.

Esta cooperação, comparado a outros países é mínima e em escala pequena. Acredito que aprofundando as relações diplomáticas entre São Tomé e Príncipe e o Japão possibilitará uma cooperação em escalas maiores e de conteúdo até então não realizados no país. Estamos com alguns projetos em mente e precisaremos da colaboração de todos os sãotomenses no processo para a realização.

STP Digital – O Turismo tem sido uma das apostas do governo sãotomense. Como é que atraímos turistas japoneses?

Tenho conhecimento de que a área de turismo é de grande importância para São Tomé e Príncipe e também de que há maravilhosos pontos turísticos. Estamos com algumas ideias para os negócios neste ramo.

São Tomé e Príncipe tornando-se conhecido no Japão, com certeza aumentarão os japoneses que queiram visitar o país. Infelizmente, São Tomé e Príncipe e o Japão estão muito distantes, então talvez não seja possível visitar facilmente como os portugueses.

Mas tratando-se de investimento a conversa muda de rumo. O Japão este ano recebeu 30 milhões de turistas estrangeiros. Com esta experiência e conhecimento, empresas relacionados ao turismo, podem investir em São Tomé e Príncipe nesta área.

STP Digital – Que tipo de recomendações faria a um conterrâneo seu que pretenda visitar São Tomé e Príncipe?

São Tomé e Príncipe como o Japão é formado por várias ilhas, mas há uma grande diferença na latitude e longitude. Principalmente o ambiente equatorial não é possível experimentar no Japão. Tendo em mente essas diferenças, recomendaria apreciar a natureza riquíssima de São Tomé e Príncipe.

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