Ambiente

Estudo científico tenta esclarecer as origens dos bencús em São Tomé e Príncipe

Bencú fotografado na ilha de São Tomé. ©Ricardo Rocha
Bencú fotografado na ilha de São Tomé. ©Ricardo Rocha
Uma colaboração entre a Fundação Príncipe, o CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos genéticos (Portugal) e a Universidade de Oxford (Reino Unido), resultou numa publicação científica sobre os bencús de São Tomé e Príncipe. 

O estudo foi publicado no mês passado e revelou novas informações sobre as origens do cágado Pelusios castaneus (nome científico), também conhecido como bencú, nas ilhas de São Tomé e Príncipe.

As ilhas de São Tomé e Príncipe são conhecidas por terem uma grande diversidade de espécies, muitas das quais apenas são encontradas nestas ilhas. No entanto, apenas uma espécie de cágado (uma tartaruga que vive nos rios), é encontrada nas ilhas: o bencú.

Apesar de se encontrar nas ilhas há bastante tempo, até agora não havia nenhum estudo que incluísse animais da ilha do Príncipe. Comparando os dados genéticos de bencús do Príncipe e de São Tomé com amostras recolhidas no continente Africano, os investigadores descobriram que são geneticamente mais próximos de bencús encontrados na Costa do Marfim, República do Congo, Nigéria e Serra Leoa do que entre si, o que sugere que o bencú chegou a cada uma das ilhas diretamente a partir do continente.

Cria de bencú fotografado na ilha de Príncipe. ©Patrícia Guedes

 

O estudo também explorou de que maneira é que os bencús poderão ter chegado às ilhas, focando-se na dispersão natural e a introdução humana. Embora a proximidade geográfica das ilhas com os principais rios africanos possa ter facilitado a chegada natural da espécie às ilhas, o transporte feito pelo homem não pode ser excluído como vector para a sua distribuição. Patrícia Guedes, uma das autoras do artigo, acrescenta: “Sabemos que durante a época colonial era comum o transporte de animais nos barcos, maioritariamente como fonte de alimento para as longas viagens. Um bom exemplo é o macaco, que chegou a São Tomé e Príncipe desta forma. É possível que o mesmo tenha acontecido com o bencú”.

Apesar das contribuições do estudo, mais pesquisa é necessária para desvendar a origem e o papel desta espécie nas ilhas.

A investigadora conclui ainda: “As ilhas de São Tomé e Príncipe são ricas em história natural e cultural. Tendo em vista que o bencú é a única espécie de cágado presente nessas ilhas, seria altamente enriquecedor conduzir estudos que abordassem as interações entre as pessoas e esses animais. As lendas, crenças e diversas formas de utilização associadas a esses seres vivos constituem informações que quando unidas a dados genéticos e ecológicos, têm o potencial de proporcionar uma perspetiva singular. Isso permitirá não só uma compreensão das origens desta espécie, mas também lançará luz sobre a distribuição e o estado de conservação desses animais”.

 

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