Cultura Música

Micael Lima quer criar uma escola de música

Micael Lima, 32 anos, é diretor coral, cantor, compositor e trabalha também como empreiteiro. O seu estilo musical favorito é o Gospel, mas também compõe músicas românticas e de temáticas sociais. Fique a saber mais sobre o vencedor da categoria masculina do Vozes d’Obô . 

O interesse de Micael pela música surgiu quando tinha 15 anos. Recorda que a sua mãe na altura estava a varrer o quintal e a cantar uma melodia, que, mais tarde, serviu de inspiração para a composição da sua primeira música.

Sempre teve como referência o sertanejo dos cantores Zezé di Camargo e Luciano. Micael é fã da cultura e das línguas santomenses. Gosta de cantar músicas nacionais e aprecia cantores de renome como Pepê Lima e o astro musical Camilo Domingos.

Micael Lima

Partiu para Angola em 2009. Lá, Micael comercializava letras de músicas que compunha, cantava, dava aulas de música e de violão.

Regressou as ilhas em Dezembro de 2018, e logo deu continuidade ao que gosta de fazer: ensinar e louvar. Trabalhou como professor de música no Colégio Adventista Internacional Cosme Mota e também dava aulas ao domicílio.

Micael Lima

Em 2019, Micael abriu um atelier de música para gente de todas as faixas etárias, em Água Arroz, onde dava aulas de violão e ensinava técnicas vocálicas. Seis meses depois, por causa da pandemia, viu-se obrigado a fechar as portas.

Quando soube do concurso Vozes d’Obô, ficou imediatamente interessado porque era a realização do sonho que tanto ansiava. Impossibilitado de participar num dos concursos semelhantes para o qual se inscreveu em Angola, Micael não deixou essa nova oportunidade passar.

“Eu tive um sonho, e o concurso tinha muito a prometer… se eu escapei em Angola, um dia em São Tomé não escapo” – disse o artista.

Micael Lima

Logo se viu realizado quando foi selecionado para entrar no Top 24. Seguiram-se 4 semanas intensas de formação e ensaios, que foram difíceis para Micael porque ele teve de se ausentar do trabalho.

“Mas como eu tenho uma bela esposa que entende e apoia, me deu forças para seguir o meu sonho”.

Micael Lima

Por outro lado, Micael reconhece que as formações serviram para aprimorar os conhecimentos básicos que já tinha no ramo musical. Aproveitou a oportunidade para elogiar e agradecer grandemente os mentores.

“Filipe Santo é um músico bastante humilde, compreensivo e também é profissional. Espero colocar em prática tudo que aprendi com ele nas formações.”

Sobre a cantora e maestrina Anastácia Carvalho o vencedor da categoria masculina do talent show de canto Vozes d’Obô disse:

“É uma grande maestrina. Eu como diretor coral da minha Igreja aprendi mais coisas, por exemplo, como trabalhar com as diferentes vozes num coro.”

Micael Lima

Ainda sobre o concurso, Micael disse que a disputa com os outros concorrentes não foi fácil porque todos eram bons cantores.

“Embora havia pessoas que tinham mais experiência que outras, ainda assim exigiu mais trabalho”.

Micael Lima

Convicto da sua dedicação, talento e habilidade musical, Micael disse ao STP Digital que sabia de antemão que iria ganhar o Vozes d´Obô.

“Eu sabia que ia ganhar porque tenho um dom, talento musical. E o meu talento é de nascença, é natural.”

Na grande final, quando foi anunciado como o grande vencedor, Micael sentiu-se realizado.

Micael Lima

“Eu fiquei assim, feliz e sem palavras. Eu pulei no palco, coisa que não esperava fazer. A emoção me levou até a dar cambalhota no palco.”

O grande sonho do cantor é criar uma escola de música. O primeiro passo será dado em breve. Micael pretende voltar a abrir o seu atelier de música, desta vez no centro de Bombom, dentro de 3 meses. O seu objetivo é passar aos outros os conhecimentos que tem, e deste modo, dar-lhes também a oportunidade de realizarem os seus sonhos. Ele incentiva todos que têm paixão pela música a partir dos 7 anos a se inscreverem e fazer parte da sua escola.

“O meu propósito é de ensinar os meus irmãos santomenses a cantar e a tocar.”

Sobre o Autor

Jaquilza Gomes

Jaquilza Gomes é licenciada em Língua Portuguesa pela Universidade de São Tomé e Príncipe (FCT/USTP). Participou na criação da obra conjunta “Ilhas de Palavras”. Nas horas livres dedica-se ao desenho, escrita, poesia, contos e reciclagem.

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