Cultura

Produtora São-tomense participa no WOMEX

Enerlid Soares, Womex

A produtora são-tomense On Time Entertainment (OTE) vai participar no Festival WOMEX – The World Music Expo, que terá lugar na cidade do Porto (Portugal), de 27 a 31 de Outubro deste ano. O WOMEX 2021, um dos eventos mundiais mais importantes para os profissionais da indústria da música, tem mais de 20 anos de história, e contará com participantes oriundos de mais de 90 países.

Em conversa com o STP Digital, o CEO da OTE, Enerlid Soares, disse que as expetativas são enormes.

Para a On Time Entertainment, e especialmente, para os artistas que trabalham connosco. Estamos a levar a música santomense para a maior feira mundial no setor da música. Aproveitaremos esta oportunidade para fechar concertos e turnês internacionais para alguns dos nossos artistas.

A OTE vai levar para o WOMEX artistas da velha guarda e vozes da nova geração. Da lista constam o conjunto África Negra, as artistas Kenya e Anastácia Carvalho, Rei Kongo, Psicoolmusic (PekaGBoom, Kedy e Humano), Baba Soul e Filipe Santo.

Enerlid Soares disse que pretende fazer o lançamento do Gravana Soul Festival 2022 (GSF) durante o WOMEX.

A pandemia fechou-nos algumas importantes portas e alguns contratos ficaram por assinar. Tirou-nos a oportunidade de dar continuidade ao trabalho que vínhamos fazendo nos anos anteriores, e ainda mais importante, distanciou-nos do nosso público.

Após este período de muita incerteza por causa da pandemia, numa altura em que a vacinação avança em São Tomé e Príncipe, a OTE está a preparar a próxima edição do GSF para Agosto de 2022.

Ainda não podemos adiantar mais detalhes porque estamos a trabalhar com os nossos parceiros para construir um evento bastante atrativo para o nosso público.

Segundo Enerlid Soares, o festival já tem alguns concertos confirmados, mas ainda não pode avançar nomes.

GSF Womex

Mudanças

Tudo indica que o local do festival vai mudar no próximo ano, e Enerlid Soares disse que também a dinâmica da equipa de produção.

Importa salientar que o festival ao tornar-se mais internacional, há muito mais pessoas de olho nas nossas ofertas e em particular na qualidade do produto que conseguiremos oferecer ao público. Por outro lado, já começamos a atrair também mais artistas internacionais e consequentemente muito mais público estrangeiro.

Os visitantes do Gravana Soul Festival procuram novidades, géneros alternativos e internacionais. Enerlid Soares frisa que procuram, acima de tudo, “boa música e sempre ao vivo, um bom espetáculo em particular.”

A OTE começou a programação do GSF em 2016, depois de anos a desenhar um conceito completamente distante do resultado que apresentaram ao público. Contudo, conseguiram atrair bastante atenção e muito bons artistas para o evento.

Um dos momentos mais marcantes do GSF 2017 foi o concerto da banda África Negra. Enerlid Soares disse que nunca se esquecerá daquele momento.

Nessa altura, eles tinham acabado de regressar de uma turnê internacional, onde atuaram para mais de vinte mil pessoas na Holanda.

Baba Soul Womex

Para o produtor outro momento surreal foi quando 3 elementos da banda Baba Soul & The Professors of Funk perderam o voo de conexão Lisboa-São Tomé, dois dias antes do concerto.

 

Foi das coisas mais estranhas que vivi até o momento. Naturalmente, poder ver a banda junta em palco no dia 28 de Julho foi super fantástico. A energia da música deles, foi tudo surreal sem dúvidas.

 

Cenário musical nacional

2019 foi um ano em grande para a OTE, que produziu todos os concertos da VIII Bienal de Arte e Cultura – N’Golá. Concertos que contaram com vários nomes internacionais incluindo Valete, Blinky Bill, Dj Kampire e Tabi Bonney.

Com a chegada do coronavírus, as atividades da produtora ficaram em standby. No entanto, aos poucos já começam a voltar. De acordo com Enerlid Soares, a cena cultural está em exponencial crescimento, e muitos jovens têm se dedicado a arte.

Contudo, é muito precário aquilo que nos oferecem enquanto consumidores de boa música. Nem vale a pena fazermos uma análise comparativa, aos tempos onde se gravava em plena via pública em condições super difíceis. Infelizmente, após quase cinco décadas de histórias enquanto independentes não conseguimos instalar uma escola de música no país e o resultado é o que todos conhecemos!

Sobre o Autor

Katya Aragão

Licenciada em Ciências da Comunicação e Cultura – Comunicação e Jornalismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa, Portugal), atualmente é jornalista de profissão, curiosa por natureza e produtora por paixão. Gosta de aprender sobre tudo o que a rodeia, é uma leitora-em-série, acredita no poder dos sonhos e das grandes ideias. É editora chefe do STPDigital.net, organizadora do TEDxSãoTomé, activista na ONG Galo Cantá, da qual foi fundadora e presidente.

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