Filha de Maria de Jesus Agostinho das Neves, professora, e de João Graça do Espírito Santo, carteiro, cresceu num ambiente onde a educação e o sentido de dever cívico eram valorizados.
Após frequentar o ensino primário em São Tomé, seguiu para o Porto para concluir o ensino secundário, e mais tarde, em 1948, mudou-se para Lisboa, onde se formou como professora primária. Foi durante este período que ingressou na Casa dos Estudantes do Império, espaço crucial de efervescência intelectual e política. Ali, conviveu com figuras que viriam a marcar profundamente a história africana, como Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Mário Pinto de Andrade, Noémia de Sousa e Marcelino dos Santos. Esse ambiente foi determinante para o seu despertar político e para o seu envolvimento ativo na luta pela independência de São Tomé e Príncipe.
Figura central na construção do Estado são-tomense, Alda Espírito Santo destacou-se não apenas como poetisa, mas também como dirigente política. Ocupou cargos de grande relevância após a independência, tendo sido Ministra da Educação e Cultura Popular (1975–1976), Ministra da Informação e Cultura Popular (1977–1980) e Presidente da Assembleia Nacional entre 1980 e 1990. Paralelamente, foi uma educadora dedicada, influenciando várias gerações, e desempenhou um papel essencial na fundação da União Nacional dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe.
No campo literário, Alda Espírito Santo é considerada uma das mais importantes vozes da poesia africana de língua portuguesa. Sua obra, escrita predominantemente antes da independência, caracteriza-se por uma forte dimensão de protesto e resistência. Em 1978, reuniu seus poemas no livro É Nosso o Solo Sagrado da Terra, no qual aborda temas como a opressão colonial, a luta pela liberdade e a valorização da cultura e do folclore são-tomense. Sua contribuição simbólica à identidade nacional é também imortalizada por ser a autora da letra do hino nacional do país.
Em 1987, reforçando seu compromisso com a cultura, fundou a UNEAS – União Nacional dos Escritores e Artistas São-tomense, instituição que liderou até à sua morte, promovendo a literatura e as artes em São Tomé e Príncipe. O reconhecimento internacional de sua obra ficou evidente com sua inclusão na antologia Filhas da África, publicada em 1992 em Londres e Nova Iorque.
Alda Espírito Santo faleceu aos 80 anos, em 9 de março de 2010, num hospital em Luanda. Foi sepultada em São Tomé, no Cemitério São João da Vargem, deixando um legado inestimável para a cultura, a política e a identidade do seu país.
Celebrar o seu centenário é mais do que recordar a sua vida — é reafirmar os valores de liberdade, justiça e identidade que ela tão profundamente defendeu. A sua voz continua a ecoar como símbolo de resistência e orgulho nacional.

