Cultura

Leovigildo Mascarenhas convida-nos a “Viver o Passado”

Leovigildo Mascarenhas

A exposição de pintura “Viver o passado” de Leovigildo Mascarenhas está patente até ao dia 3 de Maio, na CACAU. Esta exposição que foi inaugurada na Sexta-feira Santa, surpreendeu muitos sãotomenses, visto que desconheciam esta faceta do famoso mecânico de São Tomé.

“Viver o passado” revela muitas vivências da infância do artista. “Quando eu me portasse mal, a minha avó dava-me 12 palmatórias, 12 chicotadas para não voltar a fazer má-criação.” O método da avó de Mascarenhas funcionava porque “chicote dói”, acrescentou o artista rindo-se.

O criador utiliza uma técnica que exige muita concentração: tinta da china em tela.

“É um trabalho árduo, com muita paciência. Temos de saber estar muito calmos para não fazermos asneiras porque a tinta da china é permanente. Depois de cair não apaga. Tem de se ter muito cuidado”, explicou o artista ao STP Digital.

Para Mascarenhas a nossa cultura está a perder a alma em vários sentidos. “Por isso é que primo pelo levantamento daquilo que é a nossa cultura, a nossa forma de ser, como nós pisávamos andim, como as nossas avós nos corrigiam. Hoje as crianças  que não têm avó, as mães não cuidam.”

Com esta exposição o artista pretende mostrar qual é de facto o seu dom. “Sou mecânico, mas as pessoas não conheciam este lado meu. E não vou parar por aqui”, disse o artista que já prometeu elevar a fasquia na próxima exposição.

Mascarenhas anunciou que ainda este ano será lançado um livro com ilustrações suas. “É um projecto conjunto com um professor de Belas Artes de uma Universidade americana. Ele veio para São Tomé com um grupo de alunos, e a São Deus Lima apresentou-nos”, contou.

Sobre o estado da arte em São Tomé e Príncipe, o artista disse que “a arte não vai lá muito bem. Eu sei que muitas pessoas que pintam têm iniciativa própria e o que falta é apoio. Só a tela custa 300/400 dobras.”

Leovigildo da Silva Mascarenhas, mais conhecido por Mascarenhas, nasceu na freguesia de Conceição, na cidade de São Tomé.

Estudou no Liceu D. João II (actual Escola Patrice Lumumba), tendo cumprido o serviço militar obrigatório na era colonial na antiga companhia Caçador 7 em 1972.

Em 1979, fez o curso  de Transporte em Havana (Cuba). Em 2005 fez o curso Civil Militar na Florida (Estados Unidos da América).

É um artista autodidacta. Ganhou o gosto pelo desenho ainda no Liceu D. João II, em 1965 através de dois professores: Anita Estibeiro e Ferreira da Silva.

A partir daí não parou de desenhar.  Apesar de preferir no papel, foi pressionado pelos amigos a passar para as telas.

É também músico e percussionista, tendo ingressado em 1975 no Unteus II. Começou por tocar reco-reco e também era corista. Mais tarde, passou a ser o baterista. Actualmente é compositor e baterista no conjunto musical Amigos da Cultura.