Economia

Os detalhes do plano da Nossa.com para aquisição da CST

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A Nossa.com revela, passo a passo, o seu plano para transformar a CST – Companhia Santomense de Telecomunicações. Um plano que poderá não sair do papel, dado que tudo indica que o Governo autorizou a Oi a vender os 51% das ações que detém para o grupo português Visabeira.

Em novembro do ano passado um grupo de empresários nacionais (Nossa.com) deu a conhecer a sua proposta para aquisição da CST.

O que é Nossa.com ?

A Nossa.com é um veículo de investimento, que agrega um grupo de empresários são-tomenses, que manifestaram interesse em adquirir participação no capital social da CST.

“Consideramos ter uma visão de futuro para a empresa que se sustenta num projeto ambicioso. Possuímos um parceiro tecnológico internacional e pretendemos promover o capital humano nacional que já está presente na CST.” – Luisélio Salvaterra Pinto

Promotores Nossa.com

Quem está por trás da Nossa.com ?

António Aguiar

António Aguiar, Filinto Costa Alegre e Luisélio Pinto são os três empresários nacionais por trás da Nossa.com . O empresário santomense António Aguiar é formado em Engenharia. Diretor Executivo das empresas do Grupo SOCOGESTA. Promotor e consultor de empresas e negócios com vasta experiência em conceção e lançamento de vários negócios.

Filinto Costa Alegre

Filinto Costa Alegre exerce as funções de Administrador do Grupo empresarial SOCOGESTA. O Grupo, tem mais de vinte e seis anos de existência no mercado, inclui empresas e atividades nos ramos de Segurança Humana, Eletrónica e Transporte de valores; de Transportes Marítimos e Logística; de Importação, Engarrafamento e Comercialização do gás; e de auto-serviços.

Licenciado em Direito e Mestre em Administração portuária e marítima, Filinto Costa Alegre exerce, também, as funções de Advogado, Mandatário de Propriedade Industrial e Consultor, representando várias empresas e instituições, nacionais e estrangeiras.

Luisélio Salvaterra Pinto

Luisélio Salvaterra Pinto é formado em Engenharia. Tem uma vasta experiência de desenvolvimento de projetos empresariais e aconselhamento estratégico a investidores em Angola, Cabo Verde, Portugal e Dubai, em diversos setores. Nomeadamente, o da energia, ambiente, infraestrutura, e tecnologias de informação (TICs). Foi cofundador do 1º projeto de Mobile Money em Cabo Verde. Em São Tomé e Príncipe dedica-se à dinamização do ecossistema de empreendedorismo. É ainda fundador da HITEC, empresa que opera ao nível das Tecnologias de Informação, e implementou a informatização do Registo Civil do nosso país.

Imagem: Reprodução Rute Norte

O que pretendem?

Os empresários declararam que querem que um ativo empresarial tão importante como a CST seja, pela primeira vez, na história de São Tomé e Príncipe, propriedade dos são-tomenses. De todos os que queiram e estejam em condições, para que em idênticas situações de igualdade e oportunidade, adquiram uma participação, através de um processo transparente e de subscrição pública. Tiveram o cuidado de reunir todas as iniciativas nacionais concorrentes, de se apresentar ao coletivo de trabalhadores da CST e de mobilizar os atores internacionais com a competência e a experiência para o efeito requeridas.

“A vontade não é apenas adquirir a participação da Oi na CST. É de fazer melhor do que a empresa tem feito até agora.” – Luisélio Salvaterra Pinto

A Nossa.com acredita que a sua proposta é suscetível de gerar mais valor para a CST, os seus clientes, os seus trabalhadores, o Estado são-tomense, a sociedade e economia nacional em geral.

Como?

Uma das questões mais levantadas pelos são-tomenses é se a Nossa.com tem capacidade financeira e técnica para assumir uma das maiores empresas de São Tomé e Príncipe.

O grupo promotor da Nossa.com disse que já se assegurou da sua capacidade financeira para adquirir a integralidade das ações detidas pela brasileira Oi.  Tem o grupo bancário robusto como parceiro financeiro e de investimento e um grande grupo de telecomunicações internacionais com presença em vários países e servindo milhões de clientes como parceiro tecnológico, operacional e de gestão. Todavia, o grupo também pretende alinear uma percentagem do capital que adquirirá na CST num processo de subscrição pública em São Tomé e Príncipe e na diáspora.

Com a Nossa.com a CST terá a possibilidade de promover e liderar um cluster tecnológico que se traduzirá no fomento do tecido empresarial santomense virado para as tecnologias (num país que se quer tornar um hub regional neste domínio), mas também na maior aquisição de bens e serviços às empresas nacionais de outros setores, contribuindo para viabilizá-los.

“É chegada a altura de capital nacional com provas dadas e projetos sólidos poderem ir a concurso de ativos de interesse estratégico no país.” – Luisélio Salvaterra Pinto

São Tomé e Príncipe
© STP Press

 

Será o plano da Nossa.com benéfica para São Tomé e Príncipe?

Segundo o plano da Nossa.com, para além da participação do parceiro tecnológico internacional, a Nossa.com terá uma parte do seu capital reservado aos trabalhadores da CST, a pequenos, médios e grandes investidores individuais nacionais, a instituições financeiras nacionais e internacionais tais como bancos de investimento e empresas de seguros.

Uma oportunidade para que os santomenses possam investir parte das suas poupanças num ativo seguro e bem gerido com potencial de ganho a longo prazo, instrumento de investimento raro no nosso contexto económico atual.

Além do investimento necessário para a aquisição de 51% das ações da CST detidas pela Oi, a Nossa.com propõe injetar nos próximos 5 anos mais 10 milhões de Euros nas seguintes iniciativas:

▪ Expansão da rede de fibra ótica ao domicilio

▪ Lançamento dos pagamentos móveis como fator de modernização do sistema financeiro, de inclusão financeira e de combate à economia informal

▪ Introdução da TV Digital e da IPTV

▪ Edificar um hub de cabos submarinos para a sub-região tendo como prioridade parcerias internacionais para a construção de um cabo submarino entre as ilhas do Príncipe e de São Tomé

▪ Incentivar a criação de data centers à escala nacional, atraindo os principais players tecnológicos do mercado mundial

▪ Criação dum POP para as autoestradas africanas e mundiais da informação

▪ Lançamento do 4G nas redes móveis no 1º ano de atividade e do 5G nos cinco anos seguintes

▪ Lançamento de tarifas mais acessíveis no serviço internet de forma a disseminar o seu acesso

▪ Disponibilização de pacotes integrados triple play e quadruple play de telefonia fixa, móvel, internet e IPTV

▪ Criação duma incubadora nacional para as tecnologias da informação e comunicação

▪ Apoio ao governo na implementação da governação eletrónica

Recorde-se que a venda de 51% das ações da Oi para a Visabeira trata-se de uma transação totalmente privada. O Estado Santomense detém 49% das ações da CST e já autorizou a transação.

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